Encontro-me sentada em frente ao computador, no meu quarto acolhedor e com uma música ambiente (Rádio Comercial) que me convidou a reflectir sobre esta minha última experiência: visitar, a mandado do professor Hélder, o Espaço a Brincar.
Confesso que tinha idealizado algo diferente, principalmente no que toca à população alvo deste projecto. Penso, por isso, que tenha sido essa a razão para "É só isto?". No entanto, foi uma experiência positiva em que aprendi variadas coisas, que me fizeram questionar outras tantas. Devo também dizer que, além desta experiência não ter sido bem o que ansiava não deixa de ter sido espectacular, pela iniciativa, pelo objectivo pretendido, assim como pelo profissionalismo revelado e o tão importante impacto. É, sem dúvida, de louvar as pessoas que têm coragem para seguir em frente com este tipo de projectos!
Agora, vou partilhar convosco dois momentos que, para mim, são os que merecem destaque.
- Momento batata: Quando me disseram que tinha de escolher uma batata pensei em tirar uma sem sequer olhar, já que não me disseram o objectivo, mas quando se aproximaram com o alguidar não resisti! Olhei, já haviam poucas, reparei numa pequena e, sem saber bem porquê, agarrei-a. Quando, por fim, disseram o objectivo e me pus a observar, atentamente, a minha batata achei engraçado, e ao mesmo tempo um pouco assustador, já que me identifiquei com ela... Sim, a minha batata tem personalidade e, como se não bastasse, acho-a parecida comigo! E foi tão fácil reconhecê-la, mesmo de costas; aquela pele lisa que revelava sensibilidade, a covinha do tamanho do meu polegar que associei ao seu lado brincalhão e até algumas marcas de sofrimento. Não a trouxe comigo porque acabaria por secar, apodrecer, morrer...
Isto fez-me pensar que, muitas vezes, ocorre o mesmo com as pessoas, olhamos para elas, constactamos algumas diferenças e colocamo-las de parte, isto quando nos damos ao trabalho de olhar para elas. Devíamos olhar para as pessoas, não vê-las, mas olhá-las de perto e com atenção. Devíamos dar mais valor às diferenças entre nós, já que são estas que nos diferenciam, identificam, nos tornam únicos e especiais. E nós, futuros Técnicos de Apoio Psicossocial, temos que ter esta competência bem apurada. Temos que pôr de lado os julgamentos precoces e as críticas infundamentadas.
- Momento elefante: Fazer um grupo com 5/6 elementos (fácil); construir um elefante, em grupo, com plasticina (fácil e divertido); construir um elefante, em grupo, com plasticina, apenas com uma mão (um desafio). Lá estávamos nós, sentadas e com uma mão atada à fivela das calças. Plasticina em cima da mesa, 7 minutos e... Go! Amassa aqui, puxa ali... Foi uma risada. Enquanto uma fazia as patas, outra fazia as orelhas, tudo combinado anteriormente. Era, supostamente, a nossa estratégia, mas de nada nos valeu. Juntar as partes foi uma dor de cabeça! Se tentávamos unir a cabeça soltava-se a perna... Complicado, mas divertidíssimo e tarefa cumprida.
O que para mim foi meia dúzia de minutos divertidos, para pessoas incapacitadas é uma vida de adaptação, obstáculos, olhares piedosos, recaídas emocionais. Senti na pele a impotência com que estas pessoas têm de aprender a lidar, que se agrava quando alguém pergunta "Precisas de ajuda?" ou diz "Deixa que eu faço.", face a uma situação de maior dificuldade. De futuro, pensarei duas vezes antes de o fazer.
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